A proximidade dos seres humanos põe em discussão um dos grandes fatores de risco cardiovascular: tabagismo.
A convicção de que o fumo é um malefício para todos, literalmente, vem fazendo com que o “Proibido Fumar” seja cada vez mais efetivo e conquistado já que o direito de respirar sem ter contato com as mais de quatro mil substâncias que povoam a fumaça do cigarro transformou-se em verdadeira bandeira do outro lado do ‘ringue’.
Pela inalação da fumaça temos como efeitos hemodinâmicos no Sistema Nervoso Simpático: taquicardia, elevação da pressão arterial sistêmica, do débito cardíaco e do consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco, associados à vasoconstrição periférica, levando a última à palidez cutânea e à perda de temperatura nas extremidades.
Por isso, as maiores preocupações têm sido os efeitos sobre os não-tabagistas já que a exposição crônica à fumaça é deletéria e reduz significativamente a função das vias aéreas de menor calibre. Exames espirométricos em fumantes passivos apresentam o mesmo perfil dos tabagistas leves e isso significa que quem não fuma tem aumento de risco de mortalidade e de cardiopatias por causa daqueles que fumam.
Mesmo com apenas o consumo de um cigarro, os vasos coronarianos têm, às vezes, espasmos, sendo mais pronunciados em artérias previamente lesadas. O batimento cardíaco chega a subir de 80 bpm para 120 bpm após o consumo de apenas um cigarro.
O estado de vasoconstrição crônica relacionada ao tabagismo provoca lesão do endotélio, que associada às alterações hemodinâmicas coronarianas aceleram por muito a formação de placas ateroscleróticas e trombose local, que é o principal mecanismo causal das síndromes agudas, inclusive o infarto agudo do miocárdio.
O cigarro não apenas mata as células como também altera as características das que sobrevivem. Tornando-se cancerosas, muitas delas passam a reproduzir-se rapidamente. Ao ‘encostarem’ em suas vizinhas sadias, continuam reproduzindo-se, invadindo espaços e causando uma desordem generalizada em todo organismo.
Aumentando a concentração de ácidos graxos pela liberação de catecolaminas, adrenalina e noradrenalina, aumenta a aglutinação das plaquetas e sua adesão às paredes das artérias. A liberação das catecolaminas causa: taquicardia, disritmia, aumento do débito cardíaco, e até hipertensão.
Também temos o desenvolvimento de alterações ateroscleróticas por interferência no metabolismo dos lípides (elevação nos ácidos graxos livres e lipoproteína de baixa e muito baixa densidade) – colesterol ‘ruim’ e alterações na composição e redução do colesterol ‘bom’, reduzindo seus efeitos protetores antiateroscleróticos.
Ainda podem apresentar Policitemia Secundária (aumento das células vermelhas para contrabalançar o excesso de carboxihemoglobina), provocando aumento da viscosidade do sangue, o que dificulta ainda mais o fluxo, tanto periférico como coronariano que, somado aos efeitos de alteração na coagulação pela nicotina eleva os riscos de trombose e placas ateroscleróticas.
Um grande fator para isquemia miocárdica e da dor anginosa é a afinidade 250 vezes maior da hemoglobina em se ligar ao monóxido de carbono e ao ser inalado grandes quantidades de carboxihemoglobina gerando níveis reduzidos de oxigênio na circulação, que com isso há uma importante diminuição na oferta de oxigênio aos tecidos.
Mulheres apresentam menopausa precoce que é um fator de risco pela perda da proteção hormonal. Além disso, o risco de doença coronariana em mulheres que fazem uso de anticoncepcionais orais e tabaco é de 10 vezes maior do que nas não-fumantes.
Foi comprovado também através de estudos epidemiológicos: risco 2,5 vezes maior de insuficiência coronariana; 2/3 vezes maior de infarto agudo do miocárdio. Risco de morte súbita em homens sem história de coronariopatia é 2 vezes maior no grupo dos fumantes, passando para 6 vezes quando há história de doença coronariana prévia, possivelmente por uma vulnerabilidade maior do músculo cardíaco a arritmias, em especial a fibrilação ventricular.
O risco também é maior em casos de acidentes vasculares cerebrais, tanto isquêmicos como hemorrágicos, tendo história de tabagismo em cerca de 55% dos casos.
Quanto ao tabagismo, o terceiro dos três fatores de risco primário, o exercício teve um papel significativo porque os indivíduos que escolhem um estilo de vida ativo descobrem que o tabagismo é incompatível e muitos são capazes de abandonar sua dependência.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo mata mais do que o consumo de heroína, cocaína e álcool. Também supera causas como AIDS, fogo, homicídio, suicídio e acidentes de automóvel.
Pessoas que param de fumar antes dos 50 anos de idade têm 50% a menos probabilidade de morrer nos 15 anos seguintes. Depois de cinco ou sete anos, as chances de um ex-fumante ter câncer nos pulmões, por exemplo são praticamente iguais às de quem nunca fumou.
Verificamos assim, que tanto para os fumantes quanto para os não-fumantes, os benefícios de se livrar da dependência, de ter melhor qualidade de vida, compensam o esforço de largar um vício agora mesmo.
Respeite-se!
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