A obesidade representa, hoje, um grave problema de saúde pública, pois se constitui em um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes melitus, problemas ósteo-articulares e até alguns tipos de câncer.
É considerada uma doença crônica, progressiva e fatal e caracteriza-se pela quantidade excessiva de gordura na composição do corpo. No entanto, de acordo com o “National Institute of Health” (NIH) – Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, para ser realmente considerado obesidade, é necessário que o excesso de gordura seja superior a 20% do peso corporal recomendado para uma determinada estatura e sexo.
Alguns dados importantes:
Hoje, o Brasil e o mundo vivem uma verdadeira epidemia com relação à obesidade. Para se ter idéia da gravidade do problema, estudos comparativos do Setor de Epidemiologia da Faculdade Pública da USP mostram que cerca de 70 milhões de brasileiros (40% da população) estão acima do peso, sendo que 13% das mulheres e 8% dos homens sofrem de obesidade.
O que assusta, além desses altos índices, é a rapidez de sua evolução. Estes mesmos estudos indicam que, na década de 1970, os homens obesos no Brasil somavam 2,81% da população masculina e as mulheres, 4,9% da população feminina e, em apenas 23 anos, atingiram os atuais 8% e 13% citados.
Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, a obesidade mata por ano 300 mil pessoas nos Estados Unidos e quase 100 mil no Brasil, sendo que hoje, 97 milhões de americanos estão acima do peso ou obesos, estimando-se que 10 milhões dessa população seja de obesos mórbidos.
As causas da obesidade dependem de fatores diversos, tais como: hábitos alimentares, estilo de vida, predisposição biológica, carga genética, além de fatores culturais e étnicos.
De uma forma geral, as pessoas engordam ou porque possuem alguma disfunção, fazendo com que o corpo metabolize os alimentos de forma desequilibrada ou porque não se alimentam de forma saudável e balanceada, consumindo mais calorias do que necessitam e do que gastam, na maioria das vezes pelo estilo de vida sedentária que levam.
Como se pode observar, ao contrário do que muitos pensam, a obesidade não é simplesmente o resultado de uma alimentação excessiva, é também influenciada fortemente pelo estilo de vida sedentária, que vem crescendo cada vez mais nos últimos anos com os avanços tecnológicos.
Perder peso é uma tarefa árdua, pois requer força de vontade, disciplina e determinação; portanto, a melhor maneira de evitar este problema e todo o mal que o cerca, é a prevenção, através de uma alimentação saudável e balanceada e da prática de exercícios físicos. O ideal é que esta prevenção comece ainda na infância.
Se o problema já estiver instalado e houve a necessidade de redução do peso, o “balanço calórico” deve ser negativo, ou seja, o gasto de energia deve ser maior do que o consumo. Sendo assim, o exercício físico contribuirá efetivamente para a redução do peso, uma vez que diversos estudos comprovam que o mesmo aumenta significativamente o gasto calórico, considerando, é claro, que o tipo, a freqüência, a intensidade e a duração de cada exercício contribuirá mais ou menos para esse aumento.
Diminuir somente as calorias ingeridas através de dieta, fazendo com que os índices fiquem abaixo das calorias gastas diariamente, sem praticar exercícios físicos, também proporciona um “balanço calórico negativo”, com a conseqüente redução do peso. No entanto, quando realizamos somente dieta hipocalórica (pouca caloria), obtemos não só uma redução de peso, mas também a de massa magra (massa muscular), acarretando, conseqüentemente, uma redução no metabolismo basal (de repouso), o que ocasionará o famoso “efeito sanfona”, ou seja, se parar com a dieta, o indivíduo ficará tão ou mais gordo que antes.
Em contrapartida, o exercício físico, além de reduzir o peso corporal, mantém e até aumenta a massa muscular, não ocasionando uma redução tão significativa do metabolismo basal e, ainda, diminui, nos indivíduos obesos, a predisposição ao desenvolvimento da hipertensão arterial, da diabetes melitus e de doenças coronarianas.
A conclusão que se pode tomar é a de que o método mais eficaz na perda de peso é a associação da dieta com o exercício, pois a dieta auxiliará na perda de peso mais rápida e o exercício auxiliará tanto no gasto calórico, quanto na manutenção da massa muscular, evitando assim a incidência do referido “efeito sanfona”.
Os riscos para a saúde estão relacionados não somente ao total de gordura no corpo, mas, principalmente, à maneira como esta gordura está depositada, sendo o abdômen a região mais perigosa de todas.
O IMC – Índice de Massa Corporal é um indicador que tem sido bastante utilizado para avaliar, através de uma fórmula que mede o peso em relação à altura, os riscos à saúde dos indivíduos com relação ao seu grau de obesidade.
Apesar de sua relevância, o IMC não leva em conta a constituição física da pessoa, ou seja, não é sensível às respectivas contribuições de massa muscular e de gordura ao peso corporal.
Para confirmar a incidência de obesidade, caso o IMC apresente um resultado alto, recomenda-se que seja feita, em paralelo, uma avaliação do percentual de gordura (ex.: método de dobras cutâneas, bioimpedância e pesagem hidrostática), além de uma avaliação do risco da localização da gordura, através do ICQ (Índice Quadril Cintura) - indicador utilizado para relacionar a gordura localizada no abdômen e no quadril ou simplesmente da circunferência da cintura – excelente preditor de depósito de gordura visceral.
Para uma avaliação mais detalhada, o melhor a fazer é procurar um profissional especializado, habilitado a proceder à utilização dos métodos citados.
| TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DA OBESIDADE | |
| IMC (Kg/m2) | CLASSIFICAÇÃO |
| até 20 | Abaixo do Peso |
| 20 a 25 | Peso Ideal |
| 25 a 30 | Sobrepeso |
| 30 a 35 | Obesidade Moderada |
| 35 a 40 | Obesidade Severa |
| 40 a 50 | Obesidade Mórbida |
| > 50 | Super Obesidade |
Em pé, com o abdômen relaxado, no ponto de menor circunferência, abaixo da última costela, colocar a fita num plano horizontal e verificar o resultado em cm.

Segundo o National Heart Lung and Blood Institute, os valores limites para a circunferência da cintura são:
Homem – 101 cm
Mulher – 89 cm
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